Nos desolhamos por aí em entardeceres dourados perdidos na passagem de dias comuns
Dessa vez foi minha voz silenciada, não tenho certeza sequer se fui notado antes disso, mas é uma sensação tão estranha... Um desencaixe, um querer correr, pra quê? para o quê?
Interrupções antecipadas de fins inevitáveis, ainda assim dói de um jeito torto como um espinho incrustado sob a pele
Torto verão num fim de um torto ano após tortas estações. Chove gelado, faz frio, o sol parece querer arrebentar as pedras do chão, chove pesado, fica abafado, venta forte, hoje mesmo quente a tarde era agradável, aquela sequência já conhecida mas tão suave que nos arranca ainda sempre um sorriso, espero que também tenha sentido uma brisa gentil no rosto.
Um rapaz cambaleante me pediu um limpador e um cheiro, depois que entreguei me disse que eu o devia, não entendi na hora mas depois entendi que não era ele. De alguma forma vamos acumulando desbalanços e desequilíbrios pela vida. Devo e devidamente sou devido, tirando as brincadeiras (que nem sei porque ainda faço [talvez um pequeno desejo de adoçar a amargura que entrego aos outros]), é de certa forma inútil tentar manter o caos ou evitar a ordem, as coisas se organizam de algum jeito que veremos sentido mesmo quando não haverá nenhum.
Acho que todas as últimas interações foram assim sem sabermos, não sei o que meu coração tem de se forçar orgulhoso ressoando com outros assim, criamos certos abismos em nosso peito que nem existem, poderíamos sorrir, mesmo que só num encontro imprevisto ou num acaso planejado, leves e seguir com o que acontecer ali
Meu coração bate forte em meu peito, uma coisa muito diferente de esforço em exercício, tivesse alguma forma - me acertaria o rosto, é o que me faz me atirar em um movimento de correr noite a fora ou me perder sentimentos a dentro. Sempre me falta avisar, cuidado, é frágil; e nessa brincadeira ou descuido, novamente estilhaçados.